Por que pensamos tanto?
Uma reflexão que me é frequente é o nível de pensamento discursivo que temos. As pessoas que vem para a meditação sempre tem a impressão de que pensam “demais”. Esse adjetivo ‘demais’ apenas aponta que estamos passando de um certo ponto em que estariamos pensando ‘na medida certa’.
Um parêntesis aqui se faz necessário. Uma das minhas reflexões que leva ao tema é o nível de pensamento intelectual que temos. Eu sempre fui apaixonado por livros, até mesmo passei do ponto. Mas isso moldou muito a minha personalidade e a minha maneira de resolver, ou criar, problemas.
Nos tempos modernos somos expostos a um nível de informações e estudo sem precedentes na espécie humana. Pouco mais de 100 anos atrás algo como 90% da população mundial devia ser analfabeta. Quem já viu uma criança se alfabetizando pôde notar a quantidade de esforço e consistência por anos para essa criança começar a ler. E depois temos as matérias mais avançadas até o segundo grau, da faculdade, até o mestrado. De alguma maneira nosso cérebro parece ter se adaptado, mas ainda estamos fora das condições biológicas ditadas pelo nosso corpo.
A busca por exercício, socialização offline, etc. são coisas que tentam apontar para o que seria uma condição mais próxima do natural de nossas determinações biológicas.
Será que índios na floresta pensam demais? Esse é um estudo para ser feito ainda. Mas é bem claro que estamos puxando ao limite nossa capacidade de pensar ao ponto que nos machuca. Escravos e servos nos feudos medievais podiam não pensar se bem quisessem. Podiam ter muitas dores nas costas, mas com certeza ainda estavam melhores que nós nas dores de cabeça.
Vamos fazer yoga, observar a respiração, isso nos faz vir para o corpo, como nos recomendam os professores. Isso é o contraponto aos nossos pensamentos. Mas o contrário também pode ser verdade. Sempre pensei, refletindo nos monges de cidade na Tailândia: jovens, muitas vezes da área rural, analfabetos ou com educação pobre, entram para um mosteiro, e com muito sacrifício se transformam em escolásticos. Esse é o caminho deles.
Ajahn paññavado comentou certa vez que as pessoas não entendiam o caminho do meio, que na verdade era sobre balancear as coisas, se cai para a esquerda puxamos para a direita, ou algo assim. Por isso um ideal é uma ideia vaga, mas o senso de equilibro costuma ser paupável.
Assim vamos tateando e sentindo o caminho.

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