Um monge comum
Seu nome é Lp Sombun.
É um dos discipulos mais antigos de LP Anan. Estava em Wat Marp Jan logo no começo.
Baixinho mas troncudo, com dez vassas estabeleceu o recorde de jejum em Wat Marp Jan: 49 dias. (consumindo apenas pequenas porções de pana, basicamente açúcar).
Foi
um tipico monge de tudong na sua época, com aquelas clássicas histórias
de dificuldades, tigres e elefantes na floresta. Mais tarde tornou-se
um excelente monge para trabalhar com construção. (hobby de 80% dos
monges tailandeses para ser sincero).
Talvez seja o monge mais durão
no círculo de discípulos de LP Anan. Uma vez o vi doente em seu
monastério, só parou de trabalhar quando estava a ponto de ser
hospitalizado.
Mas sua principal característica, a que mais me fez
admirar ele, era exatamente o oposto do que se poderia imaginar do que
descrevi acima: ele era a pessoa mais amorosa que já conheci. De começo
ele podia ser quieto, olhar para você com cara séria e explodir
perguntas no momento que você estava mais despreparado para elas. Mas
era só passar essa primeira impressão... que logo ele estaria rindo,
abraçando, contando piadas, perguntando se precisava de alguma coisa,
cuidando de você como um pai! Nunca vi alguém doar tanto amor de graça. E
adorava uma conversa.
Ele estabeleceu um dos primeiros mosteiros filiais de Wat Marp Jan, em Chieng Mai. Por um acaso ficava no mesmo distrito do mosteiro de LP Plien. LP Plien era como que o cabeça dos monges de florestas na área, e LP Sombun tendo visitado frequentemente ele, logo se tornou um de seus discípulos (em tailandês 'filho espiritual') favoritos.
Para ser sincero talvez
tenha sido seu discípulo favorito. Pois alguns anos atrás quando LP
Plien já estava bem velho ele mandou chamar LP Sombun para vir logo. Não
foi uma visita muito fora do comum, mas LP Plien lhe disse a certo
ponto: "se cuide que não vou estar muito mais aqui". e nesse mesmo dia
faleceu. Hoje em dia LP Sombun ainda vive em Chieng Mai.
É de se pensar que um monge com tanta história no manto esteja em uma
posição privilegiada, mas não. Fiquei em seu mosteiro por umas semanas e
ninguém ia. vários dias se passam até que um leigo apareça, e olhe lá. No mosteiro somente ele, um outro monge e uma monja (mais os cachorros,
é claro). Talvez
com essa história possa retratar um aspecto que sempre quis passar para
as pessoas daqui: monges, até os mais impressionantes, ainda são
pessoas comuns.
(Na foto, eu e ele, alguns meses atrás.)

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